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"Apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida do sol, com a lua debaixo dos pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas" (Apocalipse 12,1)

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O  GALO

            Havia um galo que cantava para fazer o Sol nascer. O galo acordava bem cedo. E dizia a toda a bicharada:

            – Vou cantar para fazer o Sol nascer.

            Subia no telhado, estufava o peito, olhava para o nascente e soltava seu tradicional canto. Ficava olhando para aquela bola vermelha que começava a aparecer. Voltava para junto da bicharada e dizia orgulhoso:

            – Viu, eu falei.

            Ninguém duvidava de seu poder. Em cada galinheiro havia um galo que pensava e fazia do mesmo jeito.

            Havia um certo terror por causa do poder do galo.Todos deviam obedecer-lhe e segui-lo cegamente. Ninguém podia questionar o poder do galo-rei. Dizia-se:

         – Se ele não cantar, não veremos o dia amanhecer.

            E todos corriam para fazer o que o galo-chefão mandava.

            No entanto, numa certa madrugada o galo-chefão não acordou. Não cantou. O Sol nasceu sem o canto do galo-rei.

            Com o rebuliço do galinheiro o galo acordou. E o vivente não sabia o que fazer. Os bichos ao seu redor davam gargalhadas e riam do imbecil e prepotente galo.

     O Sol nascia de qualquer forma, com ou sem galo.

                        Dom Itamar Vian.
''Bebendo nas Fontes do Povo''.
Paulus editora, 1997.