Observação: para retornar à seção anterior, use o botão "voltar" de seu navegador. Responsável pela Página: João (membro de pastorais da Arquidiocese de São Paulo e professor na Rede Pública). No ar desde 1999. Site Prof. João César: http://profjoaocesar.tk Esta página: http://salvemaria.sites.uol.com.br || http://salvemaria.tk "Cantinho de Meditação" (índice de textos) http:salvemaria.sites.uol.com.br/texto.htm Uso livre destas páginas, desde que na íntegra e sempre citando as fontes e endereços. |
A educação resulta da confluência da família, da religião, da escola e da mídia. Seu papel é interiorizar valores, padrões e normas de comportamentos, e a ótica pela qual se encara a realidade, a vida, a história. Ocorre que hoje, com a mercantilização crescente da mídia, programas dominicais na TV, que levam ao paradoxismo e imbecilização, o interesse em transformar crianças em consumidoras precoces se sobrepõe ao empenho de incutir-lhe ética, amor ao próximo, cidadania e valores espirituais. O resultado são seres humanos agressivos, inseguros quanto às suas referências, medrosos diante do futuro e dependentes – da família, da droga ou de amizades que são cúmplices em veredas obscuras... Há pouco, ouvi uma mãe contar que proibira sua filha de participar de uma passeata. No entanto, permite que a menina amanheça em danceterias. Acende o sinal verde para a esfera da evasão e o vermelho para atividades que possam levar à esfera da política – que, como dizia o papa Paulo VI, é “a forma mais perfeita da caridade”, pois a política determina a igualdade ou a desigualdade de direitos e oportunidades numa sociedade. O caso dos rapazes que, em Brasília, acenderam a pira de nossos preconceitos e queimaram um índio Pataxó, levanta uma pergunta: O que ouviram, em casa, seus pais comentarem sobre índios, mendingos, negros e desocupados ? Acredito que o modo como a família se refere aos demais segmentos da sociedade influi decisivamente na visão que os filhos têm de seus semelhantes. Se uma patroa trata sua empregada doméstica como se fosse uma escrava, não deveria ficar surpresa se sua família demonstra nojo frente a pessoas subalternas e tem vergonha de fazer trabalhos domésticos, como lavar, varrer etc. Os pais são sempre modelos para uma criança. Um casal comentou comigo que não daria educação religiosa a seus filhos. Deixaria que, na idade adulta, eles escolhessem o que melhor lhes conviesse. Objetei: “Não há neutralidade. Ou vocês educam ou eles serão educados religiosamente pelos programas de TV, que haverão de ensinar-lhes, por outra escala de valores, o que é certo e errado, bem e mal, justo e injusto”. Às vezes, casais com filhos na adolescência me perguntam o que fazer para despertar neles um mínimo de sensibilidade religiosa. Reajo: “Se tivessem feito essa pergunta, não agora que seu filho tem 16 anos, mas há dez anos, eu saberia responder”. Pois a indiferença para com a vida espiritual não ocorre na vida de uma pessoa acostumada, desde criança, a rezar com os pais antes das refeições, ler e comentar a Bíblia, celebrar como convém as festas litúrgicas, jejuar do consumismo na Quaresma, vivenciar a Páscoa, comemorar o Natal em torno do Menino Jesus e não do Papai Noel. É verdade que a TV é, hoje, uma máquina de incentivo à violência. Porém, não descarreguemos sobre ela toda a culpa por nossas omissões. Uma boa educação familiar reduz o impacto que ela pode ter sobre as crianças. Pesquisa recente revela que, por ano, uma criança assiste, na TV, cerca de 18 mil assassinatos (telejornais, filmes e desenhos). [veja pesquisa brasileira neste sentido na revista “Diálogo”, outubro de 1997, pág. 43ss. – nota do digitador] Se os pais nunca debatem com os filhos o conteúdo dos programas, é possível que eles se tornem mais vulneráveis. Contudo, quem reage coletivamente a programa da TV ? Quem escreve para os patrocinadores dos programas anti-éticos ? Quem deixa de comprar os seus produtos ? Muitas vezes, a falta de uma educação melhor dos mais jovens tem como causa principal a omissão dos adultos. Passivos, tornamo-nos cúmplices de tudo o que condenamos nessa cultura hedonista e violenta. Só a consciência de cidadania, a defesa dos direitos humanos e uma efetiva participação na vida social podemos nos salvar de um futuro menos bárbaro. In: “Diálogo – Revista do Ensino Religioso”Ano II, N°08 (Outubro de 1997), Paulinas, pág.28ss.
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