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Veja abaixo a íntegra do artigo de D. Luciano, publicado na “Folha de S. Paulo”, 08 de Maio de 1999.
Quem era essa admirável
fundadora? Joana nasceu em Bordeaux, na França, em 1556, filha de Ricardo de Lestonnac e
Joana de Montaigne, irmã do filósofo Miguel de Montaigne. Sofreu o conflito religioso na
própria família, pois foi batizada na fé católica do pai, embora sua mãe seguisse a
doutrina de Calvino. Joana buscava sua força em Deus, a quem, desde cedo, desejou se
consagrar. Aos 17 anos foi dada em casamento ao barão de Montferrant. Teve sete filhos,
dos quais quatro sobreviveram. Mãe e esposa exemplar,
mulher de fé e bondade, dedicava-se à família e aos pobres, doentes e presos. Viúva
aos 41 anos, sentiu -com nova força- a vocação dos anos de sua adolescência e
experimentou por alguns meses a vida religiosa na austera regra do Cister. Deus a chamava
a uma outra missão. Com os filhos casados,
entregou-se à oração e buscava mais intensamente descobrir a vontade de Deus. Foi
quando percebeu a necessidade de estender a mão às jovens, marcadas pela ignorância
religiosa, e fundar uma ordem dedicada à educação na fé, sob a proteção da Mãe de
Deus. Joana encontrou companheiras que a ela se uniram para, ajudadas pelos jesuítas,
iniciar a Ordem de Nossa Senhora. As religiosas educadoras, aprovadas por Roma em 1607,
tinham por ideal dedicar-se a uma profunda espiritualidade e à formação das jovens,
esculpindo no seu coração os valores capazes de transformar o mundo segundo o projeto de
Deus. Ainda durante a vida de Joana de Lestonnac foram abertas mais de 30 casas na
França. A fundação se estendeu rapidamente e hoje está presente em 23 países, tendo
chegado ao Brasil em 1936. Quem continuará a estender a mão à nossa juventude? A carência de educação e trabalho atinge muitos jovens, numa sociedade cada vez mais excludente. A violência, as injustiças e os desmandos morais que afetam fortemente os jovens têm como raiz o vazio religioso que leva à perda de sentido da vida. Diante da situação deprimente de
degradação em que, ainda hoje, se encontra a mulher, temos todos que promover sua plena
dignidade na família e na sociedade. Em nossos dias é maior a necessidade de
uma autêntica educação religiosa que comunique à juventude os valores do Evangelho: a
confiança em Deus, o respeito, a estima e o amor ao próximo sem discriminação, a
liberdade diante da atração dos bens materiais, do prazer e do poder, o horizonte da
eternidade, a capacidade de perdoar e de reconciliar, a solidariedade fraterna. Compreendemos por que na recente
exortação pós-sinodal "Igreja na América" o papa João Paulo 2º indica que
no projeto de nova evangelização seja dado lugar privilegiado à educação. Daí a
insistência para que no campo do ensino a Igreja tenha reconhecido pelo Estado o próprio
espaço de liberdade, que é um verdadeiro direito em virtude de sua missão
evangelizadora (EA, 71). |