Salve, Maria!

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RELIGIÃO TAMBÉM É PRÁTICA NA VIDA DO DIA A DIA ! A FÉ SEM OBRAS É MORTA! (S.Tiago 2, 26)
QUEM CONTINUARÁ A ESTENDER A MÃO À NOSSA JUVENTUDE?
“Quem continuará a estender a mão à nossa juventude?

A carência de educação e trabalho atinge muitos jovens, numa sociedade cada vez mais excludente.

A violência, as injustiças e os desmandos morais que afetam fortemente os jovens têm como raiz o vazio religioso que leva à perda de sentido da vida.

Diante da situação deprimente de degradação em que, ainda hoje, se encontra a mulher, temos todos que promover sua plena dignidade na família e na sociedade.

Em nossos dias é maior a necessidade de uma autêntica educação religiosa que comunique à juventude os valores do Evangelho: a confiança em Deus, o respeito, a estima e o amor ao próximo sem discriminação, a liberdade diante da atração dos bens materiais, do prazer e do poder, o horizonte da eternidade, a capacidade de perdoar e de reconciliar, a solidariedade fraterna.”

Dom Luciano Mendes de Almeida, arcebispo de Mariana(MG).

Veja abaixo a íntegra do artigo de D. Luciano, publicado na “Folha de S. Paulo”, 08 de Maio de 1999.


Companhia de Maria
LUCIANO MENDES DE ALMEIDA


Esse é o nome atual da Ordem de Nossa Senhora, fundada em 1607 por santa Joana de Lestonnac. Sua vida e sua missão nos empolgam ainda hoje. Há quase quatro séculos foi ela quem instituiu, na França, a primeira comunidade religiosa dedicada à educação da juventude feminina. No próximo dia 15, celebramos o cinqüentenário de sua canonização.

Quem era essa admirável fundadora? Joana nasceu em Bordeaux, na França, em 1556, filha de Ricardo de Lestonnac e Joana de Montaigne, irmã do filósofo Miguel de Montaigne. Sofreu o conflito religioso na própria família, pois foi batizada na fé católica do pai, embora sua mãe seguisse a doutrina de Calvino. Joana buscava sua força em Deus, a quem, desde cedo, desejou se consagrar. Aos 17 anos foi dada em casamento ao barão de Montferrant. Teve sete filhos, dos quais quatro sobreviveram.

Mãe e esposa exemplar, mulher de fé e bondade, dedicava-se à família e aos pobres, doentes e presos. Viúva aos 41 anos, sentiu -com nova força- a vocação dos anos de sua adolescência e experimentou por alguns meses a vida religiosa na austera regra do Cister. Deus a chamava a uma outra missão.

Com os filhos casados, entregou-se à oração e buscava mais intensamente descobrir a vontade de Deus. Foi quando percebeu a necessidade de estender a mão às jovens, marcadas pela ignorância religiosa, e fundar uma ordem dedicada à educação na fé, sob a proteção da Mãe de Deus. Joana encontrou companheiras que a ela se uniram para, ajudadas pelos jesuítas, iniciar a Ordem de Nossa Senhora. As religiosas educadoras, aprovadas por Roma em 1607, tinham por ideal dedicar-se a uma profunda espiritualidade e à formação das jovens, esculpindo no seu coração os valores capazes de transformar o mundo segundo o projeto de Deus. Ainda durante a vida de Joana de Lestonnac foram abertas mais de 30 casas na França. A fundação se estendeu rapidamente e hoje está presente em 23 países, tendo chegado ao Brasil em 1936.

Quem continuará a estender a mão à nossa juventude?

A carência de educação e trabalho atinge muitos jovens, numa sociedade cada vez mais excludente.

A violência, as injustiças e os desmandos morais que afetam fortemente os jovens têm como raiz o vazio religioso que leva à perda de sentido da vida.

Diante da situação deprimente de degradação em que, ainda hoje, se encontra a mulher, temos todos que promover sua plena dignidade na família e na sociedade.

Em nossos dias é maior a necessidade de uma autêntica educação religiosa que comunique à juventude os valores do Evangelho: a confiança em Deus, o respeito, a estima e o amor ao próximo sem discriminação, a liberdade diante da atração dos bens materiais, do prazer e do poder, o horizonte da eternidade, a capacidade de perdoar e de reconciliar, a solidariedade fraterna.

Compreendemos por que na recente exortação pós-sinodal "Igreja na América" o papa João Paulo 2º indica que no projeto de nova evangelização seja dado lugar privilegiado à educação. Daí a insistência para que no campo do ensino a Igreja tenha reconhecido pelo Estado o próprio espaço de liberdade, que é um verdadeiro direito em virtude de sua missão evangelizadora (EA, 71).
Desejamos, nesse cinquentenário da elevação de Joana de Lestonnac aos altares, prestar homenagem a essa santa, mulher de fé viva e ardorosa, de espírito de oração e dinamismo apostólico, e reconhecer a enorme atualidade do carisma da Companhia de Maria e das demais congregações religiosas que se dedicam a formar a juventude para o amor a Deus e ao próximo.