Observação: para retornar à seção anterior, use o botão "voltar" de seu navegador. Responsável pela Página: João (membro de pastorais da Arquidiocese de São Paulo e professor na Rede Pública). No ar desde 1999. Site Prof. João César: http://profjoaocesar.tk Esta página: http://salvemaria.sites.uol.com.br || http://salvemaria.tk "Cantinho de Meditação" (índice de textos) http:salvemaria.sites.uol.com.br/texto.htm Uso livre destas páginas, desde que na íntegra e sempre citando as fontes e endereços. |
TEXTOS PARA REFLEXÃO E NOVAS ATITUDES SOBRE LIBERDADE ====================================================== O SEMÁFORO Voltemos aos sinais do semáforo: verde, amarelo e vermelho. Não existem para proibir. O verde do siga em frente, em geral, fica mais tem- po aceso onde o fluxo é maior. O vermelho é uma proibição positiva: salva vidas e preserva o direito do outro. A moral funciona como um semáforo: mais permite que proíbe, contempla o direito de todos e regula as relações humanas em função de um projeto maior que é o amor fraterno.
NINGUÉM ME DIZ O QUE FAZER Existe uma liberdade inteligente e uma liberdade imatura. A li- berdade inteligente é a de quem se sente livre, mas aceita normas. A ima- tura é a do cabeçudo e teimoso que afirma que ninguém lhe diz o que fazer. Faz tudo por conta própria e não aceita nem normas, nem conselhos. O estado prolongado desse tipo de teimosia é uma enfermidade mental. Quem estabelece suas próprias regras torna-se um problema para si e para os outros. Ele atravessa a rua quando quer e não quando pode, inventa suas próprias leis de trânsito e suas leis de viver. Por isso mesmo não sabe conviver. Tais pessoas sao anormais. Não se adaptam a costume algum que não seja o seu. O outro não existe para elas. Seu enorme egoísmo só vê suas necessidades. Faz parte desse grupo o adepto do 'cada um por si e Deus por todos' ou o do 'salve-se quem puder', ou ainda o cultuador do jeitinho brasileiro de conseguir as coisas fora da lei.
LIBERDADE DE ESCOLHA Não existe liberdade total de escolha. Se eu escolher ir a pé até Roma, faço uma escolha errada e para isso não tenho liberdade, porque entre o Brasil e a Itália existe um oceano. Terei de renunciar a minha escolha errada de ir a pé. Posso escolher sempre dentro de um limite. Escolhe-se dentro do possível. Por isso aquele que cultua a liberdade total é louco. Ela nao existe! Só o louco atravesa a rua quando quer. Os outros atravessam quando podem. Toda liberdade humana tem limites. Todo homem verdadeiramente livre sabe lidar com os limites. Por isso é que ele voa quando o tempo permi- te, nada quando o oceano permite e vai de carro quando a estrada permite. Se nao der, ele se adapta, exatamente porque é livre. O outro que pensa ser li- vre, insiste no proibido ou no impossível e, se der certo, vira herói; se não der, ou morre ou enlouquece. A grande maioria das pessoas prefere ser livre com limites. Não posso quere o sinal verde para mim o tempo todo. Sou livre também quando aceito o vermelho.
A IDOLATRIA DA LIBERDADE Existe, apregoada de modo aberto ou disfarçado, sobretudo entre jo- vens e adolescentes, uma idolatria da liberdade. Querem o direito de ir, fa- zer e dizer o que quiserem. E entram em conflitos enormes consigo e com os outros por causa disso. Quando amadurecem, entenderão que liberdade não é fazer o que se quer, maso que se pode sem ferir o direito dos outros. Se para dançar e me divertir até as 4 da madrugada com o som ao máximo preju- dico o sono de mais de 500 pessoas, minha liberdade é injusta e eu me torno uma pessoa injusta. O injusto nao é livre. É escravo de seu egoísmo. Porque o outro existe, nao tenho o direito de fazer o que quero. A menos que mude para uma ilha deserta. Mas ai eu talvez nem sobreviva ou morra de tédio porque faltam os outros.
LIBERDADE E CENSURA Teoricamente o ser humano deveria ser respeitado sempre. Por isso, não deveria haver censura, até porque o censurador também é um ser humano limitado que provavelmente proibirá o que lhe desagrada ao invés de se ater à lei. Censurar os outros é sempre um risco, porque acabaremos impondo nossa visão de mundo. Mas porque as pessoas exorbitam no uso da liberdade, alguém precisa censurá-los. Porque o bêbado se torna incômodo, o marido, o pai ou o policial o censuram, mandan-no ficar quieto ou o tiram dali. Exorbitou no direito de beber e agora exorbita no direito de falar. Como não tem auto- -censura, precisa ser censurado pelos outros. Dá-se o mesmo em certas situa- ções da vida. O direito de ler o que bem entende ou escrever o que bem ente- de nao dá ao autor o direito de jogar aquilo na televisão e expor crianças sem maior critério de escolha à sua mensagem forte demais para uma cabeça de 11 anos. Quando alguém escreve como bêbado, deve ser tratado como bêbado. Há um tipo de censura que fere a liberdade. Há um tipo de censura que preserva a liberdade. O fabricante de explosivos não tem o direito de ensinar isso a qualquer cidadao e muito menos na televisão ou no cinema: deve ser censurado!
LIBERDADE E DITADURA Existem liberdades invioláveis. O direito de ir e vir, o direito de pensar e falar, o direito de discordar, o direito de crer, o direito de se alimentar, de morar, de vestir-se, de informar-se. Governos totalitários costumam pensar, crer e decidir pelo cidadão. Por isso a Igreja favorece o consenso e a democracia, deixando claro, porém, que certos assuntos não se decide por voto. Nem que a maioria decida que o aborto é legal, a igreja não aceitaria. A Igreja não aceita ditaduras. Se aceitou reis abso- lutistas no passado, não aceita mais. Aprendeu.
LIBERDADE E PERMISSIVIDADE Por aceitar e propor a democracia, que é a participação do povo em todos os níveis da vida pública, a Igreja advoga as liberdades essenciais do cidadão. Mas há um limite para a liberdade. Uma coisa é permitir e outra é ser permissivo. A Igreja se insurge e se insurgirá contra tudo aquilo que, em nome da liberdade, prejudica pessoas, grupos e nações. Por isso, sua doutrina moral é rígida em assuntos como droga, aborto, divórcio, experiên- cias com genética. Ela exige o máximo de cuidado nas legislações para que não fiquem brechas que permitam que pessoas usem pessoas como objetos ou cobaias humanas. Também na questão da sexual a Igreja é exigente, porque valoriza o dom da sexualidade como lugar do amor humano. Ela tem regras de conduta para determinadas situações exatamente para que seus membros não ofendam nem a vida, nem o amor. Nisso ela se atém ao dito de São Paulo: NÃO SABEIS QUE SOIS O TEMPLO DO ESPÍRITO SANTO? (1Cor 6, 19) TUDO ME É PERMITI- DO, MAS NEM TUDO ME CONVÉM. TUDO PODE SER PERMITIDO, MAS NÃO ME DEIXAREI SER DOMINADO POR QUALQUER COISA QUE SEJA (1Cor 6, 12).
------------------------- Os textos acima são de autoria de José Fernandes de Oliveira (Padre Zezinho) e fazem parte do livro 'Católicos serenos e felizes. Entre nós é assim...',de Paulus Editora. Padre Zezinho é autor, poeta, compositor e can- tor há 35 anos. (textos copiados exclusivamente para estudos)
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